A vida anda veloz, todo dia, nós, pais, ficamos mais ocupados e atarefados. Os filhos vão ficando como segunda ou até terceira prioridade. E depois, o que fica? Esse poema do Affonso Romano de Sant´Anna é um bálsamo para a alma. E serve como reflexão muito interessante, por isso o Blog do Dr. João Félix compartilhar contigo.

Ana Clara, uma doçura de menina


Por:  Affonso Romano de Sant´Anna


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram  para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta   dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais  vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir  sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio  subiam a serra ou iam à casa de  praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo  com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio  dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha  terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

 



O obstetra  Dr. João Félix Dias foi  convidado para falar no curso para gestantes da Unimed Cuiabá nesta quarta, 18 de agosto. O auditório da Unimed estava lotado de mães de primeira viagem, especialmente. Só mães de gêmeos eram quatro.  Todas informações repassadas foram recebidas com extremo zelo pelas gestantes, em sua maioria no terceiro trimestre de gestação.




O obstetra explicou detalhadamente sobre como ocorre  a gravidez e seu desenvolvimento mês a mês, com destaque para os cuidados gerais. Um dos assuntos mais perguntados foi, naturalmente, sobre o parto. O Dr. João Félix resumiu em uma frase sobre qual seria melhor a opção entre cesárea ou normal: “Não há fórmula perfeita para todas. É preciso conversar muito com o médico que acompanha a gestação, trocar ideias com grupos de gestantes, ficar bem informada”, sugeriu.



Sobre os exames solicitados na gravidez, o obstetra ressaltou que o ideal é fazer a maioria deles três vezes durante a gestação, destacando a importância extra para investigação da sífilis e aids. Dr. João Félix respondeu a muitas perguntas, entre elas sobre a evolução do parto normal de antigamente para como é feito hoje. Ele lembrou que antes a parturiente precisava ficar deitada, o que era muito desconfortável, hoje são estimulados agachamentos e posições onde ela fica mais sentada, o que é favorável para o parto. Além do mais as camas são mais largas e há um lugar para a grávida sentar durante o trabalho de parto.

“A frieza hospitalar foi quebrada. Não é mais permitida a obrigatoriedade de fazer lavagem intestinal e raspagem da grávida, a não ser que ela aceite os procedimentos”.


O obstetra ainda falou sobre a importância do apoio psicológico para a grávida, segundo ele, um dos pontos mais fundamentais no período da gestação.


Hoje teremos o prazer de ler o relato da jornalista Vivian Lessa, grávida de cinco meses do Lucas e do Henrique. Veja que declaração linda de viver da experiência de ser mãe duplamente, de uma única vez!

Vivian, toda prosa com seus gêmeos

"Eu sempre tive vontade de ser mãe, de passar pela experiência do amor incondicional e sentir que tudo valeu a pena, apesar do cansaço e demais problemas.  E como quase tudo em minha vida queria que fosse planejado, no seu tempo certo. Conheci meu marido ainda quando fazia a primeira faculdade. Ele também estudava. Nos formamos, namoramos por cinco anos e finalmente nos casamos. Há um ano e meio tentamos ter filho, depois decidimos que não seria a hora.  Para a nossa surpresa, após três anos de casados, descobri que estava grávida. E não, não foi planejado. Também não foi planejado ter dois filhos de uma vez só. Isso mesmo, são gêmeos.

É claro que a surpresa de saber que seria mãe de gêmeos me deixou preocupada. Já no primeiro dia comecei a pensar nos gastos, normal para quem gosta de ter tudo no controle. Além disso, a saúde dos bebes me deixava, e ainda me deixa, em desespero. Comecei a ler sobre os riscos de uma gestação gemelar.  Entendi que toda gestação apresenta riscos, mas a gemelar necessita de um cuidado maior, principalmente por estarem em uma mesma placenta, mas em bolsas diferentes (Monocoriônica e Diamniótica). Existem outros dois tipos de gestação gemelar: monocoriônica e monomaniótica (1 placenta e 1 bolsa) ; e diacoriônica e diamniótica (2 placentas e 2 bolsas).

Cada ultrassom que faço é uma expectativa diferente para saber como estão se desenvolvendo e se estão bem. Agora com cinco meses de gestação e já confirmado o sexo dos bebês (serão meninos idênticos!) ainda tomo muitos cuidados. Evito ficar em pé, andar e ficar sentada por muito tempo, subir escadas, além de cuidar da alimentação. Apesar de todas as indagações, incertezas e preocupações me sinto cada vez mais sortuda e abençoada. Tenho tido muita atenção e dedicação da família, amigos e do meu marido, Kleber. Lucas e Henrique estão programados para nascerem em dezembro e a expectativa de chegada deles só me deixa a certeza de que nem tudo o que planejamos nos faz inteiramente feliz". 
O Dr. João Félix tem uma história de vida dedicada aos estudos e melhoria do desenvolvimento humano. Ele começou a vida acadêmica em Chapada dos Guimarães, onde estudou até a oitava série, continuou os estudos na rede pública de ensino de Cuiabá.

Determinado a fazer Medicina e com uma formação incipiente, teve que se desdobrar para conseguir uma vaga na concorrida UFMT, após muito estudo e dedicação a aprovação veio após três anos. Isso o motivou a ir mais longe. Fez residência médica na própria UFMT (em Ginecologia e Obstetrícia) e o Mestrado, tendo concluído seu doutorado pela USP no ano passado.

Hoje é professor da UFMT e Univag, carreira que abraçou com muito carinho e amor. Para desenvolver ainda mais esta missão, Dr. João Félix participa pela segunda vez de um treinamento da Associação Médica de Ensino Médico (Abem) no Rio de Janeiro.









Por: Dr. João Félix Dias (Professor Ginecologia e Obstetrícia UFMT/Doutor pela USP)

O parto nos primórdios era visto como um ato comandado pela vontade divina. A noção do parto como ato controlado pela vontade humana é relativamente recente na história da Medicina. A Obstetrícia nasce como disciplina científica na França, nos séculos XVII e XVIII, tornando-se uma especialidade médica. Ainda no final do século XIX uma grande proporção dos partos ocorria em ambientes domiciliares.

Em Cuiabá, data de 1942 a fundação da Maternidade “Sociedade de Proteção à Maternidade e Infância de Cuiabá”, um marco na assistência obstétrica em Mato Grosso. Desde então, a assistência obstétrica por aqui vinha mantendo esse padrão: Uma sala de pré-parto coletiva com número variável de pacientes, sem privacidade e separadas de seus acompanhantes, padrão que ainda predominava até o final da última década nas instituições que prestavam assistência à rede pública. 

Com a expansão da rede de hospitais privados observada nos anos 80 e 90, a saúde em Cuiabá assume um caráter predominantemente privado, pelo crescente número de clínicas e hospitais, bem como um ritmo lento de implantações de hospitais na rede pública. Na rede privada o pré-parto foi abolido, visto o declínio do parto normal nas estatísticas. Apesar dos avanços tecnológicos incorporados à rede hospitalar não houve queda das intervenções médicas na assistência aos nascimentos.  

Desde então as elevadas taxas de cesarianas na rede privada espelham a Obstetrícia predominante.  A crescente melhoria das técnicas cirúrgicas, de esterilizações biológicas dos instrumentais cirúrgicos, a evolução dos antibióticos e dos anestésicos e  das técnicas de anestesia, a acessibilidade da população à maioria dos centros fez com que as taxas de intervenções médicas no nascimento evoluíssem para níveis discrepantes dos observados em outras partes do mundo.  

                                          Foto: Zas Estúdio

Mesmo com as escolas médicas e de enfermagem, a inauguração dos hospitais universitários, como o  Júlio Muller nos anos 80 e outros, a assistência ao nascimento não se fez seguir pelas mudanças nas estatísticas.

No início da década passada o Ministério da Saúde tomou a iniciativa de estimular a humanização do nascimento, sendo que no Brasil o índice de cesarianas é o mesmo panorama observado em Cuiabá. Desde então o conceito de parto humanizado vem sendo estimulado nas maternidades públicas e conveniadas.

As elevadas taxas de cesariana nos nascimentos motivaram mudanças mais intervencionistas da Agência Nacional de Saúde suplementar (ANS) na tentativa de melhorar os níveis discrepantes em relação às taxas recomendadas pela OMS.  A resolução estabeleceu normas para estímulo do parto normal e a consequente redução de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar.

As novas regras ampliaram o acesso à informação pelas consumidoras de planos de saúde, que poderão solicitar às operadoras os percentuais de cesáreas e de partos normais por hospitais e  até  por médico.

Outra mudança trazida pela nova resolução é a obrigatoriedade das operadoras fornecerem o cartão da gestante, de acordo com padrão definido pelo Ministério da Saúde, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal. De posse desse cartão, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, facilitando um melhor atendimento à mulher quando ela entrar em trabalho de parto.

As operadoras de saúde terão que orientar para que os obstetras utilizem o partograma, documento gráfico onde são feitos registros de tudo o que acontece durante o trabalho de parto.

Bom para quem?

As mudanças preconizadas pela ANS atingem em  cheio um setor médico de sensível importância social. O nascimento é um momento especial na vida do ser humano, aliás, dois seres, a mulher que está nascendo como mãe e o bebê que nasce para esta vida. Incertezas, dúvidas e angústias,  o nascimento sempre foi permeado pela insegurança, era comum nas famílias do passado a presença de um ente vitimado pelas intercorrências no parto.  Após a evolução da técnica médica e dos materiais e medicamentos, foi se estabelecendo no meio social a cultura da cesárea. Com hora marcada e quase sempre desrespeitando a natureza e a fisiologia do parto, quase um evento social.

A cesárea movimenta um setor que abrange  médicos, hospitais, planos de saúde, indústrias de fios e instrumentais  cirúrgicos, anestésicos e demais medicamentos usados no tratamento pós operatório.  Assim como está estabelecida, a sociedade já se acostumou com os partos agendados, as horas marcadas, as datas definidas, se estabelecendo o senso comum de cobrar da gestante qual é a data do parto.

Autonomia do médico

A autonomia de atuação do médico de forma a zelar pela vida e saúde do seu paciente permanece intocada. Conforme o Código de Ética Médica, aos médicos  são garantidos a autonomia e liberdade profissional, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames de sua consciência, salvo em situações de ausência de outro médico.  A postura do médico deve ser respeitada, visto estar amparado em normas do Código de Ética. O posicionamento do profissional fica mais transparente com as normas adotadas. A paciente que no exercício de sua autonomia optar pelo parto operatório terá suas garantias, assim como a mulher que  desejar passar pela prova do trabalho de parto terá informações confiáveis do médico, do  hospital e da ANS.

Autonomia da paciente

O Código de Ética Médica estimula a  melhoria do relacionamento do médico com o paciente e a garantia de maior autonomia à sua vontade. A autonomia do paciente  em recusar o tratamento médico existe e é respeitado pelo código.  É claro,  significando uma quebra da relação médico paciente. Neste caso específico, cabendo a gestante procurar uma segunda ou terceira opinião. O  Código de Ética Médica em sua evolução reforça a autonomia do paciente e o esclarecimento de forma adequada sobre as condições e todos os detalhes dos tratamentos propostos a ela. A  decisão da paciente ou de seu representante legal na escolha do tratamento médico, é garantida, salvo em situações de iminente risco de morte, sendo vedado ao médico desrespeitar esse direito.

Pressão para melhoria da rede assistencial

A medida adota pela ANS visa diminuir as altas taxas de cesáreas desnecessárias na rede suplementar, consequentemente a procura pelo parto normal será crescente.  Um ponto sensível nesse panorama que se desenha é a inadequação dos hospitais.  A estrutura física dos hospitais para atender o parto normal, no conceito do PPP estabelecido pelo Ministério da Saúde desde 2001,  é visível na rede suplementar. A necessidade de melhoria das estruturas físicas das maternidades em Cuiabá é urgente. Essas novas medidas, aliadas  à demanda crescente vão exercer pressão sobre a estrutura inadequada atual, forçando mudanças para melhor.

O aspecto econômico como instrumento de mudança cultural

Por fim o ponto sensível para que a mudança ocorra é o financeiro. Os honorários médicos e hospitalares terão que mudar para que essa nova cultura se estabeleça hegemonicamente. Os custos  hospitalares e de honorários médicos devem aumentar por conta das novas estruturas a serem criadas para atender os novos tempos.


O sucesso da nova medida será resultado do envolvimento de todas as partes envolvidas, como paciente, médico e hospitais.

Rebeca fez um aninho há poucos dias, adora passear, descobrir coisas novas, ela é fruto de um "milagre". Tive o prazer de acompanhar toda a gestação da Luciana e nascimento da fofura Rebeca.

Rebeca é uma criança fofa, esperta e mimosa

A mamãe Luciana passou praticamente toda a gestação da Rebeca em repouso para que ela chegasse ao mundo com vitalidade

Após passar "reclusa" em casa praticamente durante toda a gravidez, Rebeca chegou iluminada, há um ano. Veja o relato da mamãe Luciana poucos dias após o parto. Sou grato pela oportunidade de acompanhar a vida da Rebeca e a força da Luciana.

"Sabe a sensação de que a vida começou de novo? Um misto de felicidade, gratidão e vontade de pedir pra parar o mundo naquele instante... Receber um filho nos braços é sentir a plenitude de Deus. Confesso que nem conseguia tocar minha filha quando a vi pela primeira vez. É como se não me sentisse digna de receber um presente tão lindo. 
Foram dez anos de espera até a chegada da nossa princesa. Quando Deus confirmou que ela estava a caminho, o próprio médico expressou: "Você acredita em algo maior?” Respondi que eu cria num Deus que operava milagres. “É, algumas coisas acontecem e não têm explicação para a medicina”, disse-me.
Poderia escrever centenas de páginas para descrever em detalhes todos os problemas, relatórios médicos, crises pessoais, e como fomos surpreendidos e alcançados pelo amor imensurável de Deus. São experiências para compartilhar com milhares de pessoas como testemunho da fidelidade do Pai nas situações impossíveis de se resolver por nós mesmos.
Quero agradecer a todos que estão dividindo essa alegria conosco e que intercedem pela nossa felicidade, pela nossa família e pela vida da nossa filha. Aos nossos familiares, à nossa Igreja, aos nossos amigos, que nos surpreendem todos os dias com atitudes de amor e carinho, ao meu médico, João Félix, aos meus colegas de trabalho, a todos que estão vivendo esse lindo sonho conosco, o meu “muito obrigada”" (Luciana Giradelo) 




Esse lindo bebê é filhote da Iriz Hirooka, do qual tive o prazer de fazer o parto


Texto publicado em www.tempodemulher.com.br


Dormir sozinho pela primeira vez no quarto, ir ao banheiro sem a ajuda de adultos ou ainda guardar os próprios brinquedos evitando aquela bagunça são algumas das primeiras conquistas das crianças que pais e mães devem celebrar. Isso porque significa que os pequenos estão conquistando noções de autonomia, independência e responsabilidade que vão servir para toda a vida.
No entanto, a pedagoga Liamara Montagner Salamani, ressalta que os pais devem ter como princípio celebrar apenas as conquistas que demandaram um esforço da criança para serem atingidas. Caso contrário, explica ela, comportamentos e atitudes naturais (e esperadas) para cada faixa etária receberão um valor desproporcional e inadequado.
"Tal fato será um perigo porque as crianças pequenas estão coletando as informações que o meio lhe fornece, se constituindo como sujeitos. Ser premiado por algo que é rotineiro passa a mensagem de que ela fez algo que superou as expectativas, o que pode não ser verdade", avalia Liamara, que é coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santo Américo, de São Paulo.

Dormir uma noite sozinha no próprio quarto

Liamara Montagner: "Os pais devem mostrar que a casa é um lugar seguro e que eles estão prontos para ajudar a criança se for necessário. Além disso, reforce que cada um tem seu lugar para dormir. E caso seu filho esteja passando por um momento de maior insegurança, os pais podem ficar com a criança no próprio quarto dela mostrando que entendem seu temor, mas que não há motivo para o pequeno ir até a cama deles. Diga ao seu filho que, no momento em que ele adormecer, o pai e a mãe voltarão para o quarto deles. Mesmo parecendo algo bastante trabalhoso e rude, a mensagem que passarão é que eles estão ali para apoiar a criança, mas não estarão sujeitos a todas as demandas dela. Nessa fase de constituição de sujeito, acreditar em si mesmo é importante para todos os momentos em que estarão sem os pais".
Fonte: passarinhosnotelhado.blogspot.com.br


                                     Foto da paciente Bia Perozo (arquivo pessoal)

"Mesmo que nunca tenha gerado um filho.
Mesmo que nunca venha a gerá-lo.
Toda mulher é mãe, primeiro, mãe da boneca mais tarde do irmãozinho.
Casada, é mãe do marido antes de o ser dos filhos.
Sem filho, será mãe adotiva e entregará a alguém os benefícios do seu amor:
aos sobrinhos, aos filhos, ao próximo, aos alunos, a uma causa justa.
Quantas mulheres, que a vida não escolheu para a maternidade de seus próprios filhos, 
não se tornaram mães de suas próprias mães?
Quantas? Ou do pai ? Ou do avô ?
A maternidade é inexprimível.
Como uma fonte de água que uma pedra obstruiu, ela vai brotar adiante.
A maternidade não tem fronteiras, não tem cor, não tem preferências.
É das poucas coisas que se bastam a si mesmas.
Tem sua própria devoção: a esperança.
Tem sua própria ideologia: o amor.
Mãe, luz e vida!
Porque toda mulher é mãe!"


A Viviane espera, irradiando felicidade de tanto amor,  o primeiro filho. Na semana passada ela chegou ao consultório perguntando pelo Benjamin, não é de ver que nosso mascote está famosinho? O boneco Benjamin ajuda as futuras mamães de primeira viagem a aprender embrulhar e segurar o bebê para mamar.

Viviane voltou para Poconé tendo história pra contar, e o Benjamin já faz parte da vida da família dela.







15.02.2007, o dia que nunca irá sair das minhas lembranças, chegou ao mundo João Pedro Medeiros Dias, meu caçula

"Quando fui escolhido, fiquei preocupado. Temia o que encontraria após, noutra dimensão. Do 
lado de cá era vida de paz. Muita luz.  Músicas angelicais na frequência da felicidade. Sabia que 
precisava evoluir, e que a qualquer momento seria solicitado. E isso significava mudanças.  

Na fase de transição vivi num ambiente restrito, porém aconchegante. Fiquei num aquário. 
Nadava, boiava, dava cambalhotas. Era divertido. Ouvia um som calmante e gostoso. As coisas 
eram todas vermelhas. De vez em quando um som incompreensível. Dormia bastante. Gostava 
do gosto adocicado que vinha frequentemente em meu sangue, isso me excitava e deixava eufórico.   
Depois passava, e, o sono voltava. E assim se passavam os meus dias. Recebia muito carinho. Tinha uma voz que falava coisas incompreensíveis para mim. Eu gostava da pressão de algo alisando a superfície, e minha intuição dizia que era algo muito bom. Vinha uma vibração diferente quando isto acontecia, acalmava-me. E já esperava pela próxima. A cada dia ficava mais forte, maior, não parava de crescer. 

Passei a me preocupar como seria nascer. Sabia que a cada dia ficava mais próximo. Foi brotando uma vontade de conhecer esse outro lado! Os dias, as semanas e os meses se foram. E a hora estava chegando. Passei a olhar as coisas com nostalgia. A placenta, o cordão, o líquido. Tudo aquilo era o meu mundo. Era tudo o que eu precisava. Tinha muito calor humano. Porém 
percebia também que as coisas estavam mudando.  

Enfim chegou o dia. Eu senti um aperto no coração. Sabia que meu mundo estava desabando, 
fiquei tristonho. Mas, tinha que seguir meu caminho e buscar a passagem em direção à luz.   Fiquei quietinho. Aconchegado. Torcendo para passar logo. O aperto foi aumentando, a pressão cada vez mais forte na minha cabeça, no meu coração. Por fim o meu mundo ficou escuro. Nada 
mais era avermelhado. Entrei num túnel, bem estreito, com um ponto claro no final. Aquele 
brilho me atraia. Não saberia dizer como era e o que esperar. Seria outro lugar vermelho?

A ansiedade para chegar àquela luz ficou cada vez mais insuportável. Até que por fim, passei! 
Consegui! Cheguei ao outro lado. Foi um momento mágico! Os sons, a luz, as cores tão vivas. O 
tato na minha pele. O contato com aquelas mãos que me acolheram, os rostos felizes. 

Aquelas emoções indescritíveis. Como um filme em câmera lenta, fui registrando cada detalhe. 
O contato com o ar invadindo os meus pulmões. O oxigênio difundindo no meu sangue. 
O mais fantástico foi olhar para aquela mulher e sentir tudo aquilo que eu sentia antes, na 
minha vida lá dentro. Foi sensação de paz. Senti que ela era a minha Mãe! Havia algo especial 
entre nós. Na linguagem do amor nos identificamos. E então... dei o meu primeiro choro, o primeiro de muitos sorrisos para a vida"!

    06.09.1999, meu filhote mas velho, Pedro Augusto Medeiros Dias, sorrindo para o mundo.


Decidimos o nome do boneco fofo da foto, que irá ajudar as futuras mamães de meninos a segurarem seus bebês de forma correta no momento da amamentação. Foram várias sugestões de nomes, mas o que mais adoramos foi Benjamin - filho da felicidade, indicado pela Maíra Costa.

Esse menino charmoso foi feito pela artesã Fafá Santos, é todo especial, em seu interior existe lã de carneiro, portanto é fofinho e antialérgico, um presente do consultório para as mamães mães de menininhos.












Agora... lançado novo desafio: a escolha do nome para a boneca fofa da foto, que já habita o consultório há algum tempo, vamos lá? Ela também foi feita pela competente artesã Fafá Santos (da foto).


Autoria do texto: *Mariana Fusco Varella - publicado no Site www.50emais.com.br

As mulheres em geral entram na menopausa por volta dos 50 anos. Um pouco antes dessa idade, costumam experimentar, algumas de forma devastadora, sintomas como diminuição da libido, ondas de calor alternadas com arrepios de frio, astenia, secura vaginal, depressão, entre outros.
A intensidade dos sintomas varia, mas eles afetam por volta de 80% das mulheres. Apesar de poucas passarem imunes a eles, não se sabia muito sobre sua duração até a divulgação, este ano, do maior estudo sobre saúde da mulher (SWAN, sigla em inglês), publicado na revista científica americana JAMA.


Os pesquisadores analisaram 1.499 mulheres na perimenopausa (fase que antecede a menopausa) por pouco mais de 7 anos, nos Estados Unidos.
Os resultados revelaram, por exemplo, que os calores, um sintoma que costuma incomodar bastante, só começaram depois da parada das menstruações em 20% dos casos; em 66%, o início se deu no período em que as menstruações se tornaram irregulares; e em 13%, surgiram ainda na vigência dos ciclos menstruais.

O fato surpreendente do estudo foi mostrar que o período das ondas de calor, que é desagradável para a maioria das mulheres, pode ser longo: em metade das participantes, não chegou a durar 7,4 anos, mas na outra metade, ultrapassou esse período.
Na década de 1960, quando a expectativa de vida era de 48 anos (dado do IBGE), a mulher que entrava na menopausa já estava próxima do fim da vida. A maioria tinha netos, e pouco se esperava dela além de que se comportasse como uma avó carinhosa e acolhedora.

Portanto, pouco importava se a mulher precisava conviver com sintomas como secura vaginal, pele ressecada e flácida, queda de cabelo e depressão. Os calores, então, que muitas vezes chegam a ponto de molhar a roupa, eram algo constrangedor com que se tinha de conviver, de preferência sem fazer alarde.

Hoje a expectativa de vida no Brasil, ainda segundo o IBGE, é de quase 75 anos. Pressupondo que a mulher entre na menopausa ao redor dos 50 anos e que seus sintomas se iniciem até alguns anos antes desse período, a mulher terá de conviver com a menopausa por pelo menos 25 anos.
É bastante tempo. Pedir que ela abra mão de uma vida sexual satisfatória e que aceite se sentir mal física e psicologicamente por tantos anos é no mínimo cruel.

Os sintomas da menopausa, portanto, são um problema que ela não deve mais enfrentar sozinha e escondida.
Contudo, se esse aspecto da fisiologia humana não é bem conhecido, por que se demorou tanto para lançar um estudo completo como o SWAN e se investe pouco em pesquisas nessa área?
A resposta é simples, embora constrangedora: porque a menopausa acontece com as mulheres. E elas vêm enfrentando essa fase da vida caladas e resignadas.

A menopausa, contudo, não deve ser encarada como o fim da vida, mas como um período longo e importante dela, em que ainda há muito a se fazer.
Para enfrentar seus sintomas desagradáveis, as mulheres precisam estar amparadas por profissionais de saúde que saibam identificá-los e tratá-los, quando for o caso. E ela deve exigir isso.
A mulher tem de se recusar a viver infeliz consigo mesma, aceitando menos do que merece: percorrer o último terço da vida de forma plena.


No Dia do Obstetra, comemorado neste domingo, 12 de abril, mensagens carinhosas chegaram para mim. A todas vocês, minha gratidão pela lembrança. Essa foi a missão que Deus a mim confiou e tento realizá-la da forma mais bem feita possível.

A Graciela Paula disse assim: "Não poderia deixar de homenagear meu médico, Dr. João Félix Dias, profissional excelente, super competente. Foi o responsável pelos meus dois partos. Trouxe ao mundo, há dois anos seis meses o Miguel e agora, há dois meses, a Maria Eduarda. Peço a Deus todos os dias que continue abençoando em todos os partos que vier a realizar. E que continue sendo este ser humano incrível, super paciente e atencioso com suas gestantes". 

A Laure Assis falou: "A você, Dr, obrigada pelo carinho em um momento especial em minha vida: a gravidez dos meus filhos. Você é um excelente profissional, médico que opera iluminado por Deus".


A Patrícia Santos de Azevedo afirmou: "Maravilhoso profissional, não me canso de repetir: salvou a minha vida, da minha filha e a minha família. Gratidão eterna, felicidades e muita luz sempre".




Sem perceber, os pais ou cuidadores podem estimular ideias e comportamentos machistas e homofóbicos nas crianças, desde os primeiros anos. Abaixo algumas frases que devemos evitar falar com os filhos homens. Texto retirado do Catraquinha Catraca Livre.

1. “Vira homem, moleque.”
2. “Menino não chora.”
3. “Isso é coisa de menina.”
4. “Engole o choro”
5. “Você tem que dar a sua palavra de homem.”
6. “Você já é um homem, não pode fazer isso.”
7. “Para com isso, parece mulherzinha.”
8. “Se você fizer tal coisa, pinto o seu quarto de rosa.”
9. “Fala direito, engrossa essa voz.”
10. “Se chorar todo mundo vai achar que você é covarde.”
11. “Você tem que ser forte, já é o homem da casa.”
12. “Para de ser fresco e faz o que tem que fazer.”


Era 21 de fevereiro de 2015, quando chegou ao mundo, amado, acarinhado, bem recebido, Roberto Martins Neto, filhote da Juliana Castro e do Roberto Martins Junior. Ele chegou em alto estilo, em um abençoado parto normal, do qual tive o privilégio de fazer. A recompensa maior é receber um depoimento da mamãe, como abaixo. Isso reafirma  completamente minha missão maior no mundo!


"Já sou paciente do Dr. João Félix há uns 10 anos, ele sempre perguntou  se eu gostaria de ser mãe, sim era minha resposta. Há dez anos gostaria que fosse cesárea, sem titubear. Mas,  após alguns anos sendo atendida pelo Dr. João fui perdendo  medo do parto normal, em conjunto com relatos de amigas que tiveram normal, me animei para ter normal. Bom, após a primeira consulta, recebi alguns conselhos do Dr. João como Epino, uma fisioterapia, exercícios específicos para gestantes, etc! 

Bem preparada e informada, nada me atrapalhou no dia. Nem mesmo a minha ansiedade que já não cabia mais dentro de mim.  Foi incrível, mais rápido do que imaginava, senti dor mesmo após seis centímetros de dilatação e cheguei aos 10 centímetros muito rápido.

Este período,  entre seis e 10 centímetros,  foi muito dolorido, mas  ocorreu tudo em menos de uma hora, não aguentei, pedi analgesia  porque sabia que meu bebê era muito grande. Tomei anestesia para a expulsão do bebê, que também foi muito rápido, um momento mágico!

Sensação incrível de ver meu filho pela primeira vez!  Não consigo me expressar em palavras, foi lindo, mágico!  Graças a Deus e aos cuidados que recebi do Dr João Félix, da Mabel, minha fisioterapeuta, do meu marido,  tudo deu certo!" - Juliana Castro