O novo projeto do Dr. João Félix é o "Papo de Obstetra", encontros que abordam a dimensão da maternidade, desde aspectos técnicos da gravidez à psicologia. A primeira edição foi realizada com absoluto sucesso neste dia 17 de fevereiro, no Espaço Magnólia, em Cuiabá.

Não vamos nos estender sobre como foi, as fotos do Rildo Amorim e as declarações de alguns dos participantes contam para vocês!



"Palavras não definem toda emoção vivida ontem ao lado dessas pessoas lindas, cheias de alegria e que transmitem uma paz incrível.
Como agradecer ao Dr João Félix e a Psicóloga Renata Terruggi por toda dedicação, carinho e cuidados que tiveram conosco nas suas inúmeras orientações técnicas e psicológicas e principalmente nas nossas dúvidas que pareciam não ter fim? 
O que falar dos mimos planejados pela Creuza Medeiros e sua fiel escudeira Rose? 
Tudo tão delicado e intimista que parecia que estávamos em casa. E realmente estávamos...
Tenho certeza que foi só o início (com muito sucesso) do primeiro Papo de Obstetra, pois muitos encontros ainda virão e se tornarão especiais na vida de outras pessoas, assim como continuará sendo na minha.
A Rua 24 de Outubro aos poucos vai tomando conta de todo meu coração. Primeiro acolheu meu casamento em julho/15 (sempre agradecendo o carinho do Casarão da Dega Dega Dorileo em nome da Cris e sua equipe maravilhosa).
e agora me recebe de braços abertos para a preparação deste momento sem igual.
Sim, preparação. Pois você que está lendo carinhosamente esta postagem até agora, saiba que não estamos grávidos, apenas sendo cuidadosos para quando Papai do Céu nos enviar a nossa joia mais que preciosa"- Teresa Marques Neta (está se preparando para ficar grávida).



"Tivemos ontem uma noite muito especial para falar sobre maternidade. Eu fui convidada para dar o meu depoimento sobre tudo o que passei desde que descobri a gravidez. E para mim é sim realmente tudo lindo. Isso porque faço questão de ressaltar as coisas boas de ser mãe. As noites mal dormidas, as dores, a preocupação, a dificuldade de amamentar não valem a pena serem ressaltadas desde que eu tenha meus filhos no meu colo. Agradeço à Creuza Medeiros pela oportunidade. Que venham as próximas" - Vivian Lessa (mãe dos gêmeos Lucas e Henrique, eles nasceram de seis meses, com menos de 800 gramas, agora são dois fofos com cinco meses de vida).







"A atmosfera acolhedora de ontem repercute em todo meu organismo... e como relembrar é viver, estou em estado de amorosidade e paz oceânica - das águas morninhas e profundas que nos envolvemos ontem.. Gratidão, silêncio e pausa para perpetuar esse sentimento"- Renata Terruggi (psicóloga corporal)


"Foi uma noite mágica. A magia foi o resultado de uma mistura que contou com uma pitada de carinho no preparo do útero (sala) by Creuza Medeiros; de canalização das emoções e direcionamento imprimido pela psicóloga Renata Terrugi; do clima estabelecido com a colaboração do relato das experiências da Vivian Lessa; do suporte representado pela Rose e, principalmente da platéia extremamente seleta, crítica, consciente, evoluída e preocupada. Vocês foram e serão as protagonistas principais de cada história que está sendo escrita e que ficamos extremamente felizes de tomar parte. Papo de Obstetra nasceu para ser como um útero, acolher e ver o desabrochar de mães felizes amáveis, carinhosas, conscientes e responsáveis. Foi um imenso prazer ter contribuído um pouquinho para ajudá-las a recriar o mundo. Que sejam felizes nessa jornada. A dimensão da maternidade é infinita, rica e maravilhosa"- Dr. João Félix (Ginecologista/Obstetra).











































































A vida anda veloz, todo dia, nós, pais, ficamos mais ocupados e atarefados. Os filhos vão ficando como segunda ou até terceira prioridade. E depois, o que fica? Esse poema do Affonso Romano de Sant´Anna é um bálsamo para a alma. E serve como reflexão muito interessante, por isso o Blog do Dr. João Félix compartilhar contigo.

Ana Clara, uma doçura de menina


Por:  Affonso Romano de Sant´Anna


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram  para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta   dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais  vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir  sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio  subiam a serra ou iam à casa de  praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo  com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio  dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha  terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

 



O obstetra  Dr. João Félix Dias foi  convidado para falar no curso para gestantes da Unimed Cuiabá nesta quarta, 18 de agosto. O auditório da Unimed estava lotado de mães de primeira viagem, especialmente. Só mães de gêmeos eram quatro.  Todas informações repassadas foram recebidas com extremo zelo pelas gestantes, em sua maioria no terceiro trimestre de gestação.




O obstetra explicou detalhadamente sobre como ocorre  a gravidez e seu desenvolvimento mês a mês, com destaque para os cuidados gerais. Um dos assuntos mais perguntados foi, naturalmente, sobre o parto. O Dr. João Félix resumiu em uma frase sobre qual seria melhor a opção entre cesárea ou normal: “Não há fórmula perfeita para todas. É preciso conversar muito com o médico que acompanha a gestação, trocar ideias com grupos de gestantes, ficar bem informada”, sugeriu.



Sobre os exames solicitados na gravidez, o obstetra ressaltou que o ideal é fazer a maioria deles três vezes durante a gestação, destacando a importância extra para investigação da sífilis e aids. Dr. João Félix respondeu a muitas perguntas, entre elas sobre a evolução do parto normal de antigamente para como é feito hoje. Ele lembrou que antes a parturiente precisava ficar deitada, o que era muito desconfortável, hoje são estimulados agachamentos e posições onde ela fica mais sentada, o que é favorável para o parto. Além do mais as camas são mais largas e há um lugar para a grávida sentar durante o trabalho de parto.

“A frieza hospitalar foi quebrada. Não é mais permitida a obrigatoriedade de fazer lavagem intestinal e raspagem da grávida, a não ser que ela aceite os procedimentos”.


O obstetra ainda falou sobre a importância do apoio psicológico para a grávida, segundo ele, um dos pontos mais fundamentais no período da gestação.


Hoje teremos o prazer de ler o relato da jornalista Vivian Lessa, grávida de cinco meses do Lucas e do Henrique. Veja que declaração linda de viver da experiência de ser mãe duplamente, de uma única vez!

Vivian, toda prosa com seus gêmeos

"Eu sempre tive vontade de ser mãe, de passar pela experiência do amor incondicional e sentir que tudo valeu a pena, apesar do cansaço e demais problemas.  E como quase tudo em minha vida queria que fosse planejado, no seu tempo certo. Conheci meu marido ainda quando fazia a primeira faculdade. Ele também estudava. Nos formamos, namoramos por cinco anos e finalmente nos casamos. Há um ano e meio tentamos ter filho, depois decidimos que não seria a hora.  Para a nossa surpresa, após três anos de casados, descobri que estava grávida. E não, não foi planejado. Também não foi planejado ter dois filhos de uma vez só. Isso mesmo, são gêmeos.

É claro que a surpresa de saber que seria mãe de gêmeos me deixou preocupada. Já no primeiro dia comecei a pensar nos gastos, normal para quem gosta de ter tudo no controle. Além disso, a saúde dos bebes me deixava, e ainda me deixa, em desespero. Comecei a ler sobre os riscos de uma gestação gemelar.  Entendi que toda gestação apresenta riscos, mas a gemelar necessita de um cuidado maior, principalmente por estarem em uma mesma placenta, mas em bolsas diferentes (Monocoriônica e Diamniótica). Existem outros dois tipos de gestação gemelar: monocoriônica e monomaniótica (1 placenta e 1 bolsa) ; e diacoriônica e diamniótica (2 placentas e 2 bolsas).

Cada ultrassom que faço é uma expectativa diferente para saber como estão se desenvolvendo e se estão bem. Agora com cinco meses de gestação e já confirmado o sexo dos bebês (serão meninos idênticos!) ainda tomo muitos cuidados. Evito ficar em pé, andar e ficar sentada por muito tempo, subir escadas, além de cuidar da alimentação. Apesar de todas as indagações, incertezas e preocupações me sinto cada vez mais sortuda e abençoada. Tenho tido muita atenção e dedicação da família, amigos e do meu marido, Kleber. Lucas e Henrique estão programados para nascerem em dezembro e a expectativa de chegada deles só me deixa a certeza de que nem tudo o que planejamos nos faz inteiramente feliz". 
O Dr. João Félix tem uma história de vida dedicada aos estudos e melhoria do desenvolvimento humano. Ele começou a vida acadêmica em Chapada dos Guimarães, onde estudou até a oitava série, continuou os estudos na rede pública de ensino de Cuiabá.

Determinado a fazer Medicina e com uma formação incipiente, teve que se desdobrar para conseguir uma vaga na concorrida UFMT, após muito estudo e dedicação a aprovação veio após três anos. Isso o motivou a ir mais longe. Fez residência médica na própria UFMT (em Ginecologia e Obstetrícia) e o Mestrado, tendo concluído seu doutorado pela USP no ano passado.

Hoje é professor da UFMT e Univag, carreira que abraçou com muito carinho e amor. Para desenvolver ainda mais esta missão, Dr. João Félix participa pela segunda vez de um treinamento da Associação Médica de Ensino Médico (Abem) no Rio de Janeiro.









Por: Dr. João Félix Dias (Professor Ginecologia e Obstetrícia UFMT/Doutor pela USP)

O parto nos primórdios era visto como um ato comandado pela vontade divina. A noção do parto como ato controlado pela vontade humana é relativamente recente na história da Medicina. A Obstetrícia nasce como disciplina científica na França, nos séculos XVII e XVIII, tornando-se uma especialidade médica. Ainda no final do século XIX uma grande proporção dos partos ocorria em ambientes domiciliares.

Em Cuiabá, data de 1942 a fundação da Maternidade “Sociedade de Proteção à Maternidade e Infância de Cuiabá”, um marco na assistência obstétrica em Mato Grosso. Desde então, a assistência obstétrica por aqui vinha mantendo esse padrão: Uma sala de pré-parto coletiva com número variável de pacientes, sem privacidade e separadas de seus acompanhantes, padrão que ainda predominava até o final da última década nas instituições que prestavam assistência à rede pública. 

Com a expansão da rede de hospitais privados observada nos anos 80 e 90, a saúde em Cuiabá assume um caráter predominantemente privado, pelo crescente número de clínicas e hospitais, bem como um ritmo lento de implantações de hospitais na rede pública. Na rede privada o pré-parto foi abolido, visto o declínio do parto normal nas estatísticas. Apesar dos avanços tecnológicos incorporados à rede hospitalar não houve queda das intervenções médicas na assistência aos nascimentos.  

Desde então as elevadas taxas de cesarianas na rede privada espelham a Obstetrícia predominante.  A crescente melhoria das técnicas cirúrgicas, de esterilizações biológicas dos instrumentais cirúrgicos, a evolução dos antibióticos e dos anestésicos e  das técnicas de anestesia, a acessibilidade da população à maioria dos centros fez com que as taxas de intervenções médicas no nascimento evoluíssem para níveis discrepantes dos observados em outras partes do mundo.  

                                          Foto: Zas Estúdio

Mesmo com as escolas médicas e de enfermagem, a inauguração dos hospitais universitários, como o  Júlio Muller nos anos 80 e outros, a assistência ao nascimento não se fez seguir pelas mudanças nas estatísticas.

No início da década passada o Ministério da Saúde tomou a iniciativa de estimular a humanização do nascimento, sendo que no Brasil o índice de cesarianas é o mesmo panorama observado em Cuiabá. Desde então o conceito de parto humanizado vem sendo estimulado nas maternidades públicas e conveniadas.

As elevadas taxas de cesariana nos nascimentos motivaram mudanças mais intervencionistas da Agência Nacional de Saúde suplementar (ANS) na tentativa de melhorar os níveis discrepantes em relação às taxas recomendadas pela OMS.  A resolução estabeleceu normas para estímulo do parto normal e a consequente redução de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar.

As novas regras ampliaram o acesso à informação pelas consumidoras de planos de saúde, que poderão solicitar às operadoras os percentuais de cesáreas e de partos normais por hospitais e  até  por médico.

Outra mudança trazida pela nova resolução é a obrigatoriedade das operadoras fornecerem o cartão da gestante, de acordo com padrão definido pelo Ministério da Saúde, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal. De posse desse cartão, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, facilitando um melhor atendimento à mulher quando ela entrar em trabalho de parto.

As operadoras de saúde terão que orientar para que os obstetras utilizem o partograma, documento gráfico onde são feitos registros de tudo o que acontece durante o trabalho de parto.

Bom para quem?

As mudanças preconizadas pela ANS atingem em  cheio um setor médico de sensível importância social. O nascimento é um momento especial na vida do ser humano, aliás, dois seres, a mulher que está nascendo como mãe e o bebê que nasce para esta vida. Incertezas, dúvidas e angústias,  o nascimento sempre foi permeado pela insegurança, era comum nas famílias do passado a presença de um ente vitimado pelas intercorrências no parto.  Após a evolução da técnica médica e dos materiais e medicamentos, foi se estabelecendo no meio social a cultura da cesárea. Com hora marcada e quase sempre desrespeitando a natureza e a fisiologia do parto, quase um evento social.

A cesárea movimenta um setor que abrange  médicos, hospitais, planos de saúde, indústrias de fios e instrumentais  cirúrgicos, anestésicos e demais medicamentos usados no tratamento pós operatório.  Assim como está estabelecida, a sociedade já se acostumou com os partos agendados, as horas marcadas, as datas definidas, se estabelecendo o senso comum de cobrar da gestante qual é a data do parto.

Autonomia do médico

A autonomia de atuação do médico de forma a zelar pela vida e saúde do seu paciente permanece intocada. Conforme o Código de Ética Médica, aos médicos  são garantidos a autonomia e liberdade profissional, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames de sua consciência, salvo em situações de ausência de outro médico.  A postura do médico deve ser respeitada, visto estar amparado em normas do Código de Ética. O posicionamento do profissional fica mais transparente com as normas adotadas. A paciente que no exercício de sua autonomia optar pelo parto operatório terá suas garantias, assim como a mulher que  desejar passar pela prova do trabalho de parto terá informações confiáveis do médico, do  hospital e da ANS.

Autonomia da paciente

O Código de Ética Médica estimula a  melhoria do relacionamento do médico com o paciente e a garantia de maior autonomia à sua vontade. A autonomia do paciente  em recusar o tratamento médico existe e é respeitado pelo código.  É claro,  significando uma quebra da relação médico paciente. Neste caso específico, cabendo a gestante procurar uma segunda ou terceira opinião. O  Código de Ética Médica em sua evolução reforça a autonomia do paciente e o esclarecimento de forma adequada sobre as condições e todos os detalhes dos tratamentos propostos a ela. A  decisão da paciente ou de seu representante legal na escolha do tratamento médico, é garantida, salvo em situações de iminente risco de morte, sendo vedado ao médico desrespeitar esse direito.

Pressão para melhoria da rede assistencial

A medida adota pela ANS visa diminuir as altas taxas de cesáreas desnecessárias na rede suplementar, consequentemente a procura pelo parto normal será crescente.  Um ponto sensível nesse panorama que se desenha é a inadequação dos hospitais.  A estrutura física dos hospitais para atender o parto normal, no conceito do PPP estabelecido pelo Ministério da Saúde desde 2001,  é visível na rede suplementar. A necessidade de melhoria das estruturas físicas das maternidades em Cuiabá é urgente. Essas novas medidas, aliadas  à demanda crescente vão exercer pressão sobre a estrutura inadequada atual, forçando mudanças para melhor.

O aspecto econômico como instrumento de mudança cultural

Por fim o ponto sensível para que a mudança ocorra é o financeiro. Os honorários médicos e hospitalares terão que mudar para que essa nova cultura se estabeleça hegemonicamente. Os custos  hospitalares e de honorários médicos devem aumentar por conta das novas estruturas a serem criadas para atender os novos tempos.


O sucesso da nova medida será resultado do envolvimento de todas as partes envolvidas, como paciente, médico e hospitais.

Rebeca fez um aninho há poucos dias, adora passear, descobrir coisas novas, ela é fruto de um "milagre". Tive o prazer de acompanhar toda a gestação da Luciana e nascimento da fofura Rebeca.

Rebeca é uma criança fofa, esperta e mimosa

A mamãe Luciana passou praticamente toda a gestação da Rebeca em repouso para que ela chegasse ao mundo com vitalidade

Após passar "reclusa" em casa praticamente durante toda a gravidez, Rebeca chegou iluminada, há um ano. Veja o relato da mamãe Luciana poucos dias após o parto. Sou grato pela oportunidade de acompanhar a vida da Rebeca e a força da Luciana.

"Sabe a sensação de que a vida começou de novo? Um misto de felicidade, gratidão e vontade de pedir pra parar o mundo naquele instante... Receber um filho nos braços é sentir a plenitude de Deus. Confesso que nem conseguia tocar minha filha quando a vi pela primeira vez. É como se não me sentisse digna de receber um presente tão lindo. 
Foram dez anos de espera até a chegada da nossa princesa. Quando Deus confirmou que ela estava a caminho, o próprio médico expressou: "Você acredita em algo maior?” Respondi que eu cria num Deus que operava milagres. “É, algumas coisas acontecem e não têm explicação para a medicina”, disse-me.
Poderia escrever centenas de páginas para descrever em detalhes todos os problemas, relatórios médicos, crises pessoais, e como fomos surpreendidos e alcançados pelo amor imensurável de Deus. São experiências para compartilhar com milhares de pessoas como testemunho da fidelidade do Pai nas situações impossíveis de se resolver por nós mesmos.
Quero agradecer a todos que estão dividindo essa alegria conosco e que intercedem pela nossa felicidade, pela nossa família e pela vida da nossa filha. Aos nossos familiares, à nossa Igreja, aos nossos amigos, que nos surpreendem todos os dias com atitudes de amor e carinho, ao meu médico, João Félix, aos meus colegas de trabalho, a todos que estão vivendo esse lindo sonho conosco, o meu “muito obrigada”" (Luciana Giradelo) 




Esse lindo bebê é filhote da Iriz Hirooka, do qual tive o prazer de fazer o parto


Texto publicado em www.tempodemulher.com.br


Dormir sozinho pela primeira vez no quarto, ir ao banheiro sem a ajuda de adultos ou ainda guardar os próprios brinquedos evitando aquela bagunça são algumas das primeiras conquistas das crianças que pais e mães devem celebrar. Isso porque significa que os pequenos estão conquistando noções de autonomia, independência e responsabilidade que vão servir para toda a vida.
No entanto, a pedagoga Liamara Montagner Salamani, ressalta que os pais devem ter como princípio celebrar apenas as conquistas que demandaram um esforço da criança para serem atingidas. Caso contrário, explica ela, comportamentos e atitudes naturais (e esperadas) para cada faixa etária receberão um valor desproporcional e inadequado.
"Tal fato será um perigo porque as crianças pequenas estão coletando as informações que o meio lhe fornece, se constituindo como sujeitos. Ser premiado por algo que é rotineiro passa a mensagem de que ela fez algo que superou as expectativas, o que pode não ser verdade", avalia Liamara, que é coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santo Américo, de São Paulo.

Dormir uma noite sozinha no próprio quarto

Liamara Montagner: "Os pais devem mostrar que a casa é um lugar seguro e que eles estão prontos para ajudar a criança se for necessário. Além disso, reforce que cada um tem seu lugar para dormir. E caso seu filho esteja passando por um momento de maior insegurança, os pais podem ficar com a criança no próprio quarto dela mostrando que entendem seu temor, mas que não há motivo para o pequeno ir até a cama deles. Diga ao seu filho que, no momento em que ele adormecer, o pai e a mãe voltarão para o quarto deles. Mesmo parecendo algo bastante trabalhoso e rude, a mensagem que passarão é que eles estão ali para apoiar a criança, mas não estarão sujeitos a todas as demandas dela. Nessa fase de constituição de sujeito, acreditar em si mesmo é importante para todos os momentos em que estarão sem os pais".